GOIÁS · 25/03/2026
Alexandre Sineliz: Entre o Amor de uma Mãe, a Fé de um Pai e a Esperança de um Reencontro
Entre o silêncio da dor e a certeza do Céu, a despedida de Alexandre revela um amor tão profundo que nem a distância, nem a morte, conseguem alcançar.
Por Miriam Barbosa.
Goiânia — Há dores que não cabem nas palavras. Há despedidas que rompem a ordem natural da vida e deixam o coração sem saber onde repousar. A partida de Alexandre Sineliz de Carvalho Silveira, aos 26 anos, filho de Fabiana Carvalho e de Simeyzon Silveira, provocou uma comoção profunda não apenas entre familiares e amigos, mas em todos que acompanharam a história de amor, cuidado e fé construída ao redor dele.
Porque Alexandre não foi apenas um filho. Foi oração atendida, foi milagre carregado no ventre, foi motivo de esperança, foi presença que ocupava a casa, os sonhos e os planos de toda uma família.
Desde muito pequeno, Alexandre convivia com a anemia falciforme e enfrentava, desde a infância, uma rotina de cuidados, limitações e tratamentos. Mas nunca foi definido pela dor. Foi definido pelo amor que recebeu. Pelo zelo de uma mãe que transformou sua vida em missão. Pela força de um pai que nunca deixou de acreditar. Pela dedicação de uma irmã que aprendeu, desde cedo, a dividir não apenas o lar, mas também as lutas e as vitórias do irmão.
Fabiana, enfermeira, professora, escritora e mulher acostumada a cuidar de vidas, encontrou em Alexandre sua maior obra de amor. Houve noites sem dormir, idas e vindas, consultas, exames, preocupações silenciosas e incontáveis orações. Houve colo nas crises, mãos dadas nos dias difíceis, fé renovada nas madrugadas em que o as dores insistia em aparecer.
Houve mamadeiras, primeiros passos, brincadeiras, risadas, viagens em família, sonhos compartilhados, a alegria de vê-lo crescer, servir a Deus, construir planos e viver um amor ao lado da noiva. Há poucos meses, Alexandre estava cercado pelos seus, vivendo a alegria de um noivado e sonhando com o futuro. Como toda família, eles também acreditavam que ainda haveria muito tempo.
Mas a vida, às vezes, impõe silêncios que ninguém está preparado para atravessar.
Por circunstâncias dolorosas e difíceis de suportar, Fabiana e Amanda Passinato Sineliz viveram a despedida de Alexandre em um lugar onde o corpo não alcança, mas onde o amor permanece inteiro. Foi uma despedida atravessada pela distância física, mas sustentada por algo muito maior: a fé.
Porque há vínculos que não dependem da presença para existirem. Há amores que continuam de pé mesmo quando os braços não conseguem abraçar.
Como redatora do Tribuna Livre Goiás e amiga da família há mais de 35 anos, ouvi de Fabiana palavras que jamais esquecerei. Entre lágrimas, pausas longas e a respiração pesada de quem tenta sobreviver ao impossível, ela falou da saudade, da dor e do vazio. Mas falou, sobretudo, de Deus.
“Há um consolo que vem do alto”, disse ela.
Fabiana falou como uma mãe que conhece a fragilidade da vida, mas que também conhece a fidelidade do Senhor. Falou da certeza de que Alexandre já não estava mais preso ao sofrimento deste mundo. Falou da convicção de que ele havia sido recebido na eternidade, promovido para sua verdadeira casa.
A pastora, Amanda Passinato, irmã de Alexandre, também transformou a própria dor em uma declaração de amor. Uma dedicatória emocionante, escrita com a alma. Em suas redes sociais, falou das dores que Alexandre enfrentou ao longo da vida, da fé , da espera de um milagre, da saudade que permanecerá para sempre e da certeza de que o irmão descansa nos braços de Deus.
Enquanto mãe e filha buscavam forças na oração, coube a Simeyzon Silveira, filho do saudoso Apóstolo Sinomar Silveira, permanecer de pé diante da missão mais difícil que um pai pode receber. Devolver a Deus o seu filho.
Simeyzon conduziu os gestos finais da despedida e permaneceu diante do filho, acompanhado pelos avós, tios e familiares, carregando nos ombros um
peso que nenhuma palavra consegue descrever.
Mas, mesmo ferido, Simeyzon transformou a dor em testemunho de fé.
Diante do corpo do filho, fez a oração mais difícil da vida de um pai: a oração da devolução, da despedida e da gratidão. Gratidão pela vida de Alexandre.Gratidão pelo tempo vivido.Gratidão pelo amor construído.
"Deus o seu, Deus o levou. Bendito seja o nome do Senhor".
Em vez de revolta, houve entrega. Em vez de desespero, houve fé. Em vez de um adeus definitivo, houve a esperança de um reencontro na eternidade.
Em suas redes sociais, Fabiana postou um carrossel de lembranças e escreveu uma frase que resume tudo aquilo que o coração de uma mãe consegue dizer quando as palavras já não bastam:
“Meu eterno amor voltou para a sua verdadeira casa… o Céu. Foi uma honra a missão de ser sua mãe.”
Alexandre deixa pai, mãe, irmã, avós, tios, primos, amigos, sua noiva e uma ausência impossível de preencher. Mas deixa, sobretudo, uma exemplo de fé, de companheirismo, amizades verdadeiras e de amor que transcende a morte.
Porque existem pessoas que, mesmo partindo cedo demais, permanecem para sempre dentro daqueles que as amaram.
Porque é isso que sustenta uma família em meio ao luto: a certeza de que o amor não acaba quando a vida terrestre termina. Ele apenas encontra uma nova forma de existir, sustentado pela fé, pela esperança e pela confiança de que um dia haverá reencontro.
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